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Uma triste notícia

O atleta Filippe Silvestre escala o mastro do veleiro inglês Lord Nelson

Em sete anos de história, nós da Urece já passamos por muitas situações constrangedoras por motivos de ignorância, discriminação ou até mesmo por desconhecimento. Até hoje, entretanto, as situações foram resolvidas com informação e bom humor, algumas até viraram piada para nós. Mas o que aconteceu com nosso atleta Filippe Silvestre, definitivamente, não tem nenhuma graça.

Na manhã de ontem, 19 de abril, Filippe procurou o hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, para realizar alguns exames exigidos pela Seleção Brasileira de Goalball. Quando estava se preparando o teste de esforço (teste ergométrico) foi avisado que não poderia prosseguir porque o Hospital não realizava esse tipo de exame em pessoas cegas.

Filippe alegou então que poderia assinar um termo de responsabilidade e realizar o exame na bicicleta ergométrica, em que o risco de queda para pessoas com e sem deficiência é quase nulo. Mesmo assim, a equipe do Hospital não permitiu que Filippe realizasse o exame com a mesma alegação.

Então, Filippe e a família começaram a movimentar as redes sociais com o que havia acontecido. Medalhista de prata nas Paralimpíadas de Londres e Ouro no Parapanamericano de Guadalajara em 2011, Filippe tem o preparo físico de dar inveja a muita gente e já realizou coisas muito mais desafiadoras na vida que um simples exame de esforço.

Procurado pelo portal de notícias globoesporte.com, o Hospital São Vicente de Paulo deu a seguinte declaração:

“O Hospital São Vicente de Paulo informa que não realizou o teste ergométrico no paciente Filippe Silvestre exclusivamente por medida de segurança. Mesmo sendo um atleta paralímpico, o paciente é portador de deficiência visual, fato este que o deixa mais suscetível ao risco de uma queda, durante a realização de exame em esteira. O Hospital São Vicente de Paulo tem certificado de Acreditação Hospitalar, conferido pela Joint Commission International e, portanto, adota uma série de protocolos técnicos de qualidade e segurança do paciente. Um desses protocolos refere-se à prevenção do risco de quedas. Prezando pela segurança de seus pacientes, o teste ergométrico no Hospital São Vicente de Paulo é contraindicado para pessoas com doença arterial coronária, arritmias não controladas, embolia pulmonar, hipertensão arterial grave, miocardite e periocardite agudas, qualquer enfermidade aguda, intoxicação medicamentosa, em gestação e pessoas com limitação física ou emocional. O Hospital lamenta a reação do paciente e reforça que em momento algum a negativa do exame foi motivada por preconceito.”

O procedimento que o Hospital seguiu, segundo a nota divulgada, fere todas as leis dos direitos das pessoas com deficiência. Inclusive, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo da Organização das Nações Unidas, ratificado pela Presidência da República.

“Artigo 25

Saúde

Os Estados Partes reconhecem que as pessoas com deficiência têm o direito de gozar do estado de saúde mais elevado possível, sem discriminação baseada na deficiência. Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar às pessoas com deficiência o acesso a serviços de saúde, incluindo os serviços de reabilitação, que levarão em conta as especificidades de gênero. Em especial, os Estados Partes:

d) Exigirão dos profissionais de saúde que dispensem às pessoas com deficiência a mesma qualidade de serviços dispensada às demais pessoas e, principalmente, que obtenham o consentimento livre e esclarecido das pessoas com deficiência concernentes. Para esse fim, os Estados Partes realizarão atividades de formação e definirão regras éticas para os setores de saúde público e privado, de modo a conscientizar os profissionais de saúde acerca dos direitos humanos, da dignidade, autonomia e das necessidades das pessoas com deficiência;

f) Prevenirão que se negue, de maneira discriminatória, os serviços de saúde ou de atenção à saúde ou a administração de alimentos sólidos ou líquidos por motivo de deficiência.”

2 Comentários

  1. plautio disse:

    A declaração desse Hospital mostra a falta de estrutura técnica para viabilizar um exame muito simples, desacreditando os usuários sobre a disposição em realizá-lo. Podemos considerar falta de vontade e de criatividade de seus dirigentes, pois quem já escalou o mastro de um grande barco inglês com a segurança proporcionada pela tripulação e já ganhou vários títulos olímpicos, sem dúvida passaria pelos testes ergométricos sem problemas.

  2. Rosane Dutra e mello disse:

    Coloquem eles rápido na Justiça, e exijam uma indenização por danos morais, pois infelizmente só assim, eles não só respeitaram as leis, como aprenderam a lê-las e aplicá-las e a ter respeito pela pessoa, já que em sua declaração deram atestado de burros e incompetentes e com certeza preconceituosos disfarçados de cuidadosos. Justiça neles!

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