Goalball

Conheça o Goalball:

O Goalball é uma modalidade criada exclusivamente para atletas cegos e portadores de visão subnormal. Mesmo que ainda pouco conhecida no Brasil, a modalidade tem grande participação das pessoas com deficiência visual. O grande número de atletas permitiu que o Brasil experimentasse uma enorme evolução neste esporte, ganhando, pela primeira vez, a medalha de prata nas Paralimpíadas de Londres em 2012.

O Goalball é um esporte de equipe, disputado por dois times de três jogadores com, no máximo, três atletas reservas. Podem competir na mesma equipe atletas das classes B1(cego), B2 e B3 (portadores de visão subnormal), segundo as normas de classificação da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). O goalball é disputado nas categorias masculina e feminina.

O jogo é disputado num espaço com as mesmas dimensões da quadra de vôlei. No fundo de cada uma, localizam-se duas balisas, que abrangem todo o comprimento da quadra. Os três atletas de cada equipe ficam restritos a uma área de 3 metros à frente da baliza que defendem, de modo que não há qualquer contato com os oponentes. Os atletas arremessam a bola para o outro lado, tendo como objetivo fazer com que ela ultrapasse o fundo da quadra adversária, entrando assim nas balizas. Em sua trajetória, a bola necessita obrigatoriamente tocar linhas predeterminadas, de modo que ela chegue ao gol adversário junto ao chão. Os arremessos mais fortes podem atravessar a quadra em mais ou menos meio segundo. A bola de goalball é especialmente desenvolvida para esse esporte. Pesando 1 quilo e 250 gramas, ela possui em seu interior um guizo que balança em seu deslocamento, permitindo que os atletas a localizem através da audição.

O desenvolvimento do jogo é baseado no uso da percepção auditiva para a detecção da trajetória da bola e requer uma boa capacidade de orientação espacial do atleta. Todo jogador deve, obrigatoriamente, utilizar venda oftalmológica durante as partidas, de modo que um atleta com visão parcial obtenha qualquer vantagem.

O Goalball teve início na Alemanha, em 1946, como forma de ressocialização de ex-combatentes que haviam perdido a visão, ou parte dela, durante a II Guerra Mundial. O esporte foi idealizado pelos professores Hanz Lorenzen e Sepp Reindle, sendo a única modalidade esportiva criada exclusivamente para a prática de atletas cegos e portadores de visão subnormal. Em 1976, em Toronto, Canadá, o goalball teve sua primeira participação nos jogos Paraolímpicos. Atualmente, o esporte é praticado em mais de 120 países no mundo todo. As competições do goalball estão crescendo cada vez mais, tanto em nível técnico, quanto em formação de novos times. No Brasil, o esporte tem ganho um incentivo muito grande nos últimos anos e já é um dos que mais tem adeptos entre os deficientes visuais. Contribuiu muito para o crescimento do esporte no Brasil a realização, em 2002, do VII Campeonato mundial de Goalball, no Rio de Janeiro. Em 2003, a equipe feminina do Brasil conquistou a medalha de prata no mundial do Canadá. Com este resultado, elas asseguraram uma vaga nos Jogos Paraolímpicos de Atenas. Foi a primeira vez que o Brasil foi representado nesta modalidade nas Paraolimpíadas. Em 2008, a equipe masculina também fazia sua estreia, mas ambos os times não passaram da primeira fase. Em 2012, confirmando o crescimento do esporte no Brasil, a equipe masculina da modalidade obteve a medalha de prata nas Paralimpíadas de Londres, tendo o atleta Urece Filippe Silvestre entre seus principais atletas.

O Goalball na Urece

A estreia do goalball na Urece se deu em 2008, em que as equipes masculina e feminina da Urece, disputando a segunda divisão nacional da modalidade, conseguindo ambas o acesso à primeira divisão. Os meninos, capitaneados por Filippe Silvestre (artilheiro da competição) ficaram com o título, enquanto as meninas obtiveram o vice-campeonato.

Nas Paraolimpíadas de 2008, o goalball da Urece foi representado pelo atleta Luís Pereira, que acabou se sagrando o artilheiro da seleção brasileira que obteve o décimo primeiro lugar na primeira participação nacional em Paralimpíadas. Filippe Silvestre, tido como um dos melhores jogadores do esporte no país, acabou sendo cortado durante a fase de preparação. No entanto, o atleta deu a volta por cima. Convocado para período de treinamentos da seleção brasileira da modalidade (abril de 2010), ele não decepcionou, garantindo vaga no Campeonato Mundial de Goalball, disputado na cidade inglesa de Shefield, em junho do mesmo ano. Em seguida, vieram o Mundial da IBSA (na Turquia), em que o Brasil obteve a vaga nas Paralimpíadas do ano seguinte. Em Londres, a equipe superou as expectativas e atingiu a final, conquistando a medalha de prata, o melhor resultado da história do goalball brasileiro.

O time da Urece esteve bem perto de conquistar o Brasil quando, em 2009, os meninos conseguiram o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro. Mas o título nacional veio na Taça Brasil, disputada em São José dos Campos, em março de 2010. Na mesma competição, as meninas conseguiram um comemoradíssimo vice-campeonato. No mesmo ano, os meninos conseguiram o título regional, em competição em que golearam os maiores rivais, CEIBC, mesmo jogando na casa dos oponentes.