História do futebol para cegos
O futebol é o esporte mais popular do planeta. Seu caráter igualitário permitiu que ele se expandisse pelo mundo todo, de modo que hoje em dia a FIFA possui mais membros afiliados do que a própria ONU. E é natural que por ser avassalador e apaixonante atinja também as pessoas que por definição e preconceito sempre estiveram alijadas do jogo: os deficientes. Desde cedo eles foram à procura de um modo que lhes permitisse praticar o futebol.

Embora não haja uma história oficial, acredita-se que a prática do futebol entre pessoas com deficiência visual tenha começado na década de 20, nos pátios das instituições especializadas. No entanto, os praticantes enfrentavam grandes dificuldades, pois as adaptações que hoje em dia conhecemos ainda não haviam sido concebidas. Apesar deste começo arcaico, o esporte demonstrou ser bastante atrativo para os cegos, em virtude principalmente de o fenômeno futebol ser algo bastante enraizado na cultura de muitos países. No início, o futebol adaptado era um grande desafio para aqueles que o praticavam. Sem o material especializado que se encontra hoje em dia, improviso era a palavra de ordem. Não importava o tamanho da bola ou o material de que era produzida, já que para esses pioneiros o importante era conseguir uma maneira de escutá-la, marcar gols e se divertir. O futebol para cegos cresceu condicionado a pouca importância que os institutos especializados destinavam ao esporte. Havia ainda o problema de o jogo ser praticado em grandes espaços abertos. Assim, o jogo se diluía em virtude da dificuldade de orientação dos atletas. Desse modo, ficou claro que sem algumas mudanças o ritmo da partida seria quebrado.

Por causa desses obstáculos – e tendo ainda em vista a preocupação com a segurança dos praticantes – optou-se pelo futebol de salão. O cenário do jogo passou a ser uma quadra que, com as devidas adaptações, trouxe mais dinamismo ao esporte, em virtude de suas dimensões reduzidas. A bola também passou por uma série de evoluções. No início, era comum que os deficientes visuais utilizassem garrafas plásticas com pedrinhas dentro, até que se percebeu que uma bola comum envolta em um saco plástico fazia barulho em seu deslocamento e permitia uma maior mobilidade dos jogadores. No entanto, esta técnica esbarrava na falta de durabilidade das sacolas. Foram feitas tentativas mais ousadas, como prender os guizos fora da bola, o quê naturalmente não deu muito certo. A bola que hoje em dia é utilizada (e que é produzida no Brasil) foi concebida na década de 80 e ainda está em processo de evolução. Em 1986, na Espanha – um dos países em que os direitos dos deficientes são mais respeitados – realizou-se o primeiro campeonato entre clubes. Levou quase uma década para que se estabelecessem competições entre seleções. Atualmente, mais de 30 países aderiram ao futebol de 5, sendo que na maioria deles existem campeonatos regulares entre clubes.

O futebol para cegos teve sua estreia nas Paralimpíadas de Atenas, em 2004, o que fez com que o esporte e seus atletas fossem pela primeira vez reconhecidos em seus países. A vitória do Brasil (a primeira medalha de ouro que o nosso futebol ganhou em Olimpíadas) reafirmou o papel do nosso país como potência também no futebol adaptado. Atualmente, são mais de cinquenta equipes representando a quase totalidade dos estados da federação. O presidente da Urece, Anderson Dias, foi um dos medalhistas nessa primeira conquista.

O primeiro gol do futebol de 5 em Paralimpíadas foi marcado pelo atleta Nilson Silva, da seleção brasileira.

*Fonte: Site CBDV

Futebol para cegos no Brasil

No Brasil, a CBDV (Confederação Brasileira de Desportos para pessoas com deficiência visual) é responsável pela organização e realização dos torneios entre clubes. Por ano, disputam-se pelo menos duas competições de caráter oficial: os Campeonatos Regionais e os Brasileiros, da primeira e segunda divisão.

Tudo começou com em 1950, ano em que o Brasil era sede da Copa do Mundo de futebol convencional. Existem relatos que foi neste mesmo ano que pessoas cegas começavam a jogar futebol em nosso país com latas e garrafas. Os locais de atividades eram as instituições de ensino como Benjamin Constant, Instituto Padre Chico, Instituto São Rafael e, o que começou com lata, posteriormente, passou para bolas envoltas em sacolas plásticas.

Somente 28 anos depois, em 1978, nas Olimpíadas das APAEs, em Natal, Rio Grande do Norte foi que o Brasil organizou o primeiro campeonato para pessoas cegas no país. Em 1984, São Paulo sedia a primeira Copa Brasil de Futebol de 5.

Em 1997 é realizada a primeira Copa América de Futebol de 5 para cegos, disputada em Assunção. A seleção brasileira foi a primeira campeã da competição, que teve ainda a Argentina a Colômbia e o Paraguai. Um ano depois o Brasil sediou o primeiro mundial da modalidade, que aconteceu em Paulínia, São Paulo. A primeira posição também ficou com o Brasil ao vencer a Argentina na grande final.

A Paralimpíadas de Atenas, em 2004 foi a primeira com a presença da modalidade nos Jogos. E como de costume, o Brasil venceu a Argentina nas penalidades pelo placar de 3 a 2 e ficou com o ouro. Nas duas edições seguintes, Pequim e Londres, a seleção brasileira também levou a melhor, se tornando a única campeã da modalidade em Jogos Paralímpicos. A mais recente conquista foi o Parapan-Americano de Toronto em 2015.
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