Quem assistiu pela televisão a partida amistosa entre a França e a Nigéria, nesta terça-feira, teve uma surpresa. Os jogadores franceses atuaram com os seus nomes escritos em braille nas camisas do uniforme. A iniciativa comemora os duzentos anos do nascimento de Louis Braille, o inventor do sistema de escrita e leitura para cegos mais usado em todo o mundo. As homenagens a Braille não pararam por aí. A seleção de futebol para cegos daquele país se apresentou antes do jogo principal. Além disso, as camisas com os nomes em braille dos jogadores serão leiloadas em benefício da Federação Francesa de Cegos.
Fonte: Terra
Não são apenas os franceses que valorizam os seus atletas com deficiência. Uma pequena volta ao mundo mostra que o Brasil é ainda um dos países que menos os respeitam ou reconhecem.
Na Argentina, a seleção de futebol de cegos disputou uma partida contra jogadores ilustres, porém vendados, durante o intervalo de um jogo entre Boca Juniors e River Plate, num Monumental de Nuñes lotado. Conhecidos como Morcegos, os atletas da seleção argentina têm amplo respaldo da mídia, sendo inclusive reconhecidos nas ruas pela população. Na Copa do Mundo de futebol para cegos, realizada em Buenos Aires em 2006, os jogos foram transmitidos pela TV aberta. Na final, um ginásio lotado viu os alvicelestes derrotarem os brasileiros por 1 x 0.
Na Alemanha, onde o esporte é praticado há apenas três anos, o campeonato nacional de futebol para cegos ocorre durante vários meses do ano, com etapas acontecendo em cidades diferentes a cada quinze dias. Isso possibilita às equipes estarem sempre em ritmo de jogo e aos atletas sem desenvolverem individualmente.
Na Inglaterra, o patrocinador da seleção de futebol para cegos é o mesmo da seleção principal. A estrutura que o país possui para treinamentos é uma das melhores do mundo, como testemunhou Gabriel Mayr, diretor de projetos da Urece e que em 2005 teve a oportunidade de participar de atividades com a seleção inglesa. "Infelizmente, eles ainda não têm jogadores no nível das melhores seleções, porque no dia que tiverem, a Inglaterra se tornará uma grande potência, em virtude de toda a estrutura que eles têm."
Se somarmos as conquistas de franceses, argentinos, alemães, ingleses e todas as demais seleções de futebol para cegos no mundo, não chegaremos ao número de títulos que o BBrasil já conquistou. Somos bicampeões mundiais e os atuais bicampeões paraolímpicos. No entanto, apesar de tantos troféus, nossos jogadores continuam relegados ao papel de atletas que exercem um esporte menor, digno de pena e não de respeito e admiração.
A federação que rege a modalidade, a Confederação Brasileira de Desportos para Cegos, está em grave crise financeira, que culminou na demissão de mais de vinte funcionários. Sem dinheiro, a CBDC não tem condições de promover campeonatos. Dessa forma, os melhores jogadores do mundo na modalidade têm jogos oficiais durante apenas um ou dois finais de semanas no ano inteiro. "É difícil motivar um atleta a treinar em março, abril, se ele só vai ter campeonato no segundo semestre", conta o diretor de esportes da Urece, Filippe Silvestre.
Contudo, como lembrou Sandro Laina, presidente da Federação de Esportes para Cegos do Estado do Rio de Janeiro e atleta da modalidade, "para que o Brasil adotasse um sistema como esse de liga realizado na Alemanha, as entidades teriam que ser mais fortes financeiramente, de modo que pudessem arcar com os elevados custos das passagens."
A Urece, em seu papel de equipe, está ainda mais abaixo nesta pirâmide. "Nossa missão é formar atletas, mas não recebemos um real por isso, temos que nos virar para conseguir pagar uniformes, passagens, salários de técnicos", explica o campeão paraolímpico na modalidade e presidente da Urece, Anderson Dias. "Nossa parceria com o America está nos abrindo muitas portas, mas ela envolve apenas cessão de espaço. E nós, além disso, precisamos dar aos atletas tudo o que uma equipe de verdade tem."
Como não tem patrocínio, a Urece atualmente sobrevive da participação de pessoas físicas, que contribuem mensalmente com quantias que ajudam a manter as atividades da associação. Além disso, há eventuais demandas de acessibilidade, como produção de materiais em braille ou verificação de acessibilidade, capacitação de funcionários ou demais serviços em hotéis, empresas, etc.
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Medalhista de ouro no Mundial de Jovens dos Estados Unidos e no Pan-Americano sub-21 da Colômbia, Viviane Soares encerrou seu primeiro ano como atleta em alta. Todas essas conquistas fizeram com que a jovem atleta fosse eleita pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro a atleta paraolímpica revelação no Brasil em 2009.
Mas as suas conquistas foram mais além. Viviane Soares acaba de ser convocada para integrar a seleção brasileira adulta de atletismo em semana de treinamento que acontece entre os dias 31 de janeiro e 6 de fevereiro, na cidade paulista de São Caetano do Sul.
2010 já é realidade para a Urece. Desde o dia 4 de janeiro, a diretoria tem se reunido para implementar as medidas necessárias para o funcionamento da associação nesse ano que se inicia.
O ano não apenas começou, como nesses quatro dias, já houve algumas conquistas dignas de celebração. "Para se ter uma idéia, estamos já muito perto de fechar um contrato de parceria com uma grande empresa que nos permitirá comprar material esportivo de ponta para todas as equipes esportivas da associação", conta Anderson Dias. "Também estamos trabalhando em outras frentes, necessitamos aprovar projetos para garantir o orçamento da Urece para o ano, para despesas de viagem e pagamento de pessoal".
Urece A lidera a competição masculina com 9 pontos, a Urece B tem chances ainda de conquistar o título enquanto no feminino, em uma competição muito parelha, ambas as equipes ainda tem possibilidades de conquistar o título.
Confira os resultados!
No dia 8 de Dezembro de 2009, no espaço Lamartine, situado no bairro carioca da Barra da Tijuca, aconteceu a festa de premiação Brasil Paraolímpico, das Loterias Caixa Econômica Federal. E a Urece esteve presente, disputando prêmios nas categorias de atletas revelação no masculino e no feminino, com Liwisgton Costa e Viviane Soares.


Perfeito o retrato feito por esta matéria, digna de um grande jornal, de uma grande matéria televisiva. Sinceramente, foi uma das melhores, se não a melhor que eu li sobre o desporto paraolímpico e o futebol de cegos.
A única coisa a discutir, neste caso, é o tamanho do Brasil, a infraestrutura de transporte e os recursos que são pequenos para o desporto de modo geral.
O Brasil é muito grande e precisaria de uma infraestrutura muito boa de transporte que possibilitasse o deslocamento rápido e barato das equipes.
Os recursos são pequenos para todo o desporto amador, imagine para o paraolímpico. Exemplo disso é o grande Diego Ipólito.
Quanto a mídia, neste caso, não contesto nada. Em meu blog, hoje desativado por conta do meu site, falei da maravilhosa recepção que recebi ao retornar de Beijing. Se não fosse meus familiares e daqueles que chegavam comigo, o aeroporto estaria vazio: nenhum reporter, nenhuma TV, nhum jornal. Nem parecia que chegavam campeões, bicampeões paraolímpicos.
Para quem quiser ver este depoimento: www.sandrolaina.blogspot.com
Valeu!
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