Urece sob risco de perder seu principal centro de treinamentos
Se o leilão da sede do America Football Club, marcado para a próxima quinta-feira, realmente acontecer, a Urece Esporte e Cultura é, depois do America,a instituição mais prejudicada. Das sete equipes da Urece, cinco treinam no clube da Rua Campos Sales: futebol feminino e masculino, goalball feminino e masculino e natação. De uma só tacada, quase quarenta atletas perderão seu local de treinamento. Entre eles, a equipe campeã do mundo de futebol feminino.
Além da estrutura com três ginásios e uma piscina, o America oferece a Urece a oportunidade da integração com os demais atletas, bem como com os funcionários do clube. Além disso, a localização do clube, a escassos metros da estação Afonso Pena do metrô, facilita bastante o acesso dos atletas com deficiência visual.
"Para ser completamente sincero, em não sendo mais possível treinar no America, as cinco equipes ficariam totalmente desamparadas, porque, no que diz respeito ao futebol e à natação, por exemplo, nós não dispomos no momento de uma outra alternativa para treinamentos. Me arrisco a dizer que essas equipes acabariam ou tirariam licença de suas atividades", explica preocupado o presidente da Urece, Anderson Dias.
Para evitar que essa tragédia se abata sobre a Urece, os diretores da associação têm se movimentado para sensibilizar as autoridades competentes a impedir que este leilão ocorra. Por conta disso, o treinador das equipes de futebol Gabriel Mayr e o vice-presidente da associação Marcos Lima, estiveram hoje por boa parte do dia na sede do clube, reunidos com a direção, em busca de uma solução para o problema.
"O America é a nossa casa e nós não podemos ficar sem ela", diz Marcos. "Se querem construir um shopping, há outros cem, duzentos em todo o Rio de Janeiro, mas America só existe um", ele completa.
"A gente tem tentado mobilizar a imprensa e mostrar a importância do clube para nós da Urece e também para os demais atletas do clube", explica Gabriel. "Infelizmente, a Urece não tem condições de ajudá-los financeiramente, mas estamos fazendo o possível para que o America, que nos abriu as portas no ano passado, veja nossa solidariedade. E, mais do que isso, queremos ser úteis de verdade".
Os dois deram entrevistas para a ESPN Brasil fazendo um apelo para que as autoridades impeçam que o crime aconteça. "Eu não entendo muito de direito, mas me parece estranho que por uma dívida que nas mais altas contas chega a um milhão de reais, o clube seja obrigado a desfazer-se de um patrimônio que já foi avaliado em 40 milhões e que cujo preço inicial do leilão era de 18 milhões", diz Anderson.


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