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Estrelas paraolímpicas na Urece!

Terezinha Guilhermino e seu guia, Chocolate, são os novos atletas da Urece!

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Que fim levou o primeiro cego brasileiro a esquiar

Imagem: marcos lima e gabriel mayr segurando a bandeira brasileira nas montanhas da república tcheca 

Em janeiro de 2008, Marcos Lima tornou-se o primeiro cego brasileiro a esquiar. A façanha ocorreu nas montanhas da República Tcheca, numa oficina de esqui para pessoas com deficiência promovida pela Universidade Palackého de Olomouc. Além de Marcos, fizeram parte da equipe o professor de educação física Gabriel Mayr (que teve a função de guia e treinador ) e a jornalista Thaís Miranda, então diretora de comunicação da Urece, responsável por registrar a aventura em vídeo.

Batizada de Esquiando no Escuro, essa iniciativa pioneira da Urece só foi possível graças ao apoio de empresários da Construtora Santa Isabel e da Loja de Inverno. "Foi uma experiência incrível, que teve um papel esportivo muito relevante, mas também  social. Além de me tornar o primeiro cego brasileiro a esquiar na neve, eu também tive a oportunidade de mostrar para as pessoas que os indivíduos com deficiência visual não devem ser encarados com preconceito; se somos capazes de fazer uma coisa que todos consideram difícil, como esquiar, isso significa que a gente também pode viver como qualquer outro cidadão, desde que as cidades estejam adaptadas para isso", explica Marcos. Ele registrou suas impressões num blog de viagem, em que conta todas as descobertas e desventuras de sua vida de esquiador iniciante.

O idealizador do projeto foi Gabriel Mayr, que na época cursava mestrado em educação física adaptada na República Tcheca. "Para mim, foi um ganho pessoal muito grande, porque, além de ensinar o Marcos a praticar um esporte que ele não conhecia, eu também tinha que aprender a esquiar, até para dar mais segurança a ele", conta Gabriel.

Imagem: gabriel mayr auxiliando marcos lima sob os esquis 

De volta à realidade

No Brasil, Marcos teve certo destaque na mídia. Graças às imagens feitas na República Tcheca, ele foi tema do Programa Especial e do Estadium, ambos da TV Brasil. No entanto, o momento de maior visibilidade do projeto ocorreu quando de sua participação no programa de esportes radicais Zona de Impacto, do canal Sportv. Além de ser assunto de uma reportagem, Marcos Lima deu uma longa entrevista ao vivo no estúdio. A matéria foi eleita pela equipe do Zona de Impacto como uma das melhores do ano e por isso reprisada no final de 2008.

Um ano e meio depois, as aventuras vividas nas montanhas tchecas são apenas felizes recordações para Marcos. Sem verba, o projeto não teve continuidade. A exposição na mídia não foi suficiente para atrair a atenção de empresas ou confederações, congelando assim o sonho de Gabriel e Marcos de tornarem-se os primeiros brasileiros a participarem de uma Paraolimpíada de Inverno. "O esqui é um esporte muito caro, até porque ele é praticado sempre fora do Brasil. A Urece é uma associação sem fins lucrativos e que não tem patrocínio, o que inviabiliza qualquer investimento dessa ordem" lamenta Marcos.

Imagem: marcos lima e gabriel mayr esquiando

Sem perspectivas de participar das próximas Paraolimpíadas de Inverno (Vancouver 2010), ele segue com sua vida na tropical cidade do Rio de Janeiro. Jornalista formado pela UFRJ, Marcos está concluindo sua graduação em rádio/TV pela mesma universidade, tendo como tema do trabalho de conclusão de curso a montagem e edição do documentário oficial do projeto Esquiando no Escuro. Além disso, ele segue com seu trabalho na Urece como vice-presidente e assessor de imprensa. Em agosto, embarca para a Alemanha onde, entre outras coisas, participará de um workshop de futebol para mulheres cegas.

Gabriel Mayr permaneceu mais seis meses na Europa, completando assim seu mestrado em educação física adaptada. Desde que voltou ao Brasil, ele vem trabalhando como gerente de projetos da Urece, além de ser um dos treinadores da equipe de futebol de cegos da associação. Recentemente, ele se engajou em outro projeto pioneiro, o desenvolvimento do rugby para cadeirantes no Brasil.

Imagem: Marcos e Gabriel na neve

Fora das pistas de esqui Gabriel e Marcos também formam uma dupla igualmente capaz de realizar feitos notáveis. Gabriel é treinador de Marcos na equipe de futebol da Urece. Os dois também trabalham juntos no desenvolvimento de projetos de comunicação da associação, como este site, por exemplo. Além disso, em conjunto, desenvolvem um projeto de acessibilidade voltado principalmente para a indústria hoteleira, em que se destaca a produção de um inovador diretório de quartos no sistema braille para o hotel SESC Copacabana, contendo informações especificamente desenvolvidas para o hóspede com deficiência visual.

No entanto, os dois amigos não esquecem aqueles dez dias na República Tcheca. Eles ainda têm esperança de um dia reativar o projeto. Sua expectativa é sensibilizar o empresariado ou as confederações competentes a participar do esforço para formar o primeiro atleta com deficiência de esportes na neve do Brasil. Esse apoio é imprescindível para que a aventura da intrépida equipe da Urece não fique na história como apenas mais um sonho de inverno.

Imagem: marcos, gabriel e a bandeira do brasil. A expectativa de um dia reativar o projeto Esquiando no Escuro

* Pauta sugerida pela leitora Isabel Sampaio

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